12 de novembro de 2013

Fernando Pessoa


Emissário de um rei desconhecido, 
eu cumpro informes instruções de além, 
e as bruscas frases que aos meus lábios vêm 
soam-me a um outro e anômalo sentido... 
Inconscientemente me divido 
entre mim e a missão que o meu ser tem, 
e a glória do meu Rei dá-me desdém 
por este humano povo entre quem lido... 
Não sei se existe o Rei que me mandou. 
Minha missão será eu a esquecer, 
meu orgulho o deserto em que em mim estou... 
Mas há! Eu sinto-me altas tradições 
de antes de tempo e espaço e vida e ser... 
Já viram Deus as minhas sensações...